A mãe de uma das vítimas do suposto abuso ocorrido no Colégio Senemby, em Caieiras, quebrou o silêncio e deu relato detalhado com exclusividade ao Dois Pontos de toda situação envolvendo sua filha.
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Confira abaixo o relato na íntegra.
Boa tarde, para vocês do Dois Pontos e para todos aqueles que tiverem acesso a este relato.
Quero deixar claro que tudo o que for exposto por mim é verdade e existem provas que atestam isso.
Hoje é dia 18/12/2025, e venho aqui dar meu depoimento sobre toda a situação que ocorreu com a minha filha, que atualmente tem 14 anos de idade e estudou no Colégio envolvido na questão. Falo por ela visto que é menor de idade.
Minha filha nasceu em 2011, em uma família estruturada e, quando completou quatro anos, em 2015, matriculei-a na aludida Instituição de Ensino, dita tradicional na Cidade de Caieiras.
Minha atitude sempre foi de profunda responsabilidade e cuidado pois, no meu entender, os pais sempre buscam o melhor para os filhos. Que eles sejam educados, aprendam, convivam com pessoas e sigam seu crescimento sadio e normal para viver no mundo de hoje e alcançar seus objetivos.
Decidimos por este Colégio, pela aludida tradição, como disse, que ele possuía na Cidade. Isso gerou confiança na minha família, porque não é fácil deixar sua criança, sob responsabilidade de outras pessoas, por um período do dia.
Infelizmente, posso dizer que não agiram com responsabilidade com a minha filha, uma criança, uma aluna e, isso tudo, gerou um grande trauma na minha filha e em toda a família.
Desde que minha filha começou seus estudos, sempre teve muitas orientações a respeito da sua sexualidade; sempre conversei com a minha filha para que nunca deixasse alguém tocá-la, que não fosse eu; sempre expliquei que sua genitália era só dela e que, se um dia, alguém colocasse a mão ou tentasse, ela teria que me contar; independente de medo e ameaças que pudessem existir, ela poderia me contar porque eu sempre seria a sua heroína, sempre vestiria minha capa e iria defendê-la em tudo.
Passado o tempo, entre os seis e sete anos da minha filha, esta começou a reclamar muito de bullying que estava sofrendo no Colégio. Dizia que as amiguinhas riam de seu corpo (ela estava um pouco acima do peso), chutavam a sua mochila, situações estas que faziam com que voltasse para casa chorando.
De forma diligente, procurei dita Escola e relatei os fatos. Em reuniões, repetia sobre o bullying que continuava. Contudo, a Diretora e a Coordenação do Colégio sempre falavam que conversariam com os pais dessas crianças.
Fato é: nunca resolveram a questão.
Por volta dos oito anos da minha filha (2019) a situação piorou e a menina começou a ter crises de ansiedade para não ir ao Colégio; ficava doente; inventava dores e enfermidades; prosseguia recusando-se a ir para o Colégio; e, dizia que as crianças e os adultos de lá eram muito ruins.
Nessa mesma época, minha filha começou a desenvolver de maneira gritante, um tipo de toc, voltado à limpeza extrema. Tomava vários banhos durante o dia, quando estava em casa, lavava muito suas mãos e se dizia muito suja.
Diante disso, dei início à busca por outros Colégios mas, quando começávamos o procedimento de transferência escolar, a minha filha tinha crises de ansiedade e de choro, repetindo que não poderia mudar de Escola e que em outra fariam a mesma coisa com ela.
Aparentando muito medo, ela pediu para estudar em casa.
Eu expliquei que não era permitido o estudo em casa e ela continuou indo e voltando da Escola, chorando.
Claro que levei o caso para a Direção que, novamente, como é de costume, colocou panos quentes alegando que se tratava de adaptação entre os coleguinhas. Não deram atenção ao fato de que minha filha também citou sobre os adultos.
Deixo claro que não houve qualquer omissão de minha parte e eu não tinha conhecimento dos casos de assédio sexual que já existiam na Escola, envolvendo o aludido Professor, porque tudo era abafado.
Com o início da pandemia e a suspensão das aulas presenciais, a minha filha acalmou, voltou a sorrir e ser a menina feliz que era. Estudou muito bem em casa, tinha responsabilidade diante da Escola e de seus afazeres diários.
Em 2021, como aconteceu no País todo, a minha filha voltou para a Escola, no sistema híbrido de aulas mas, essa volta também fez retornar o choro, o medo, as crises de ansiedade e manias de limpeza de maneira muito forte. A minha filha continuava a se recusar a ir para a Escola.
Então, em 2022, finalmente, consegui transferir minha filha de Colégio e demos início ao tratamento com Psicóloga e Psiquiatra na medida em que não conseguia se concentrar, resultando em queda total de aprendizado.
À medida em que minha filha crescia, os problemas se acentuaram mais.
Em casa, uma menina amorosa, mas uma criança fechada para o mundo; quando fazia sol, ela não se divertia na piscina, mas vestia roupas que cobriam o seu corpo todo; sentia-se gorda, feia e imunda; escondia seu corpo em roupas cujo número era o triplo do que lhe cabia; e, recusava-se a sair em fotografias e tinha crises de choro quando necessariamente deveria ser fotografada.
Para nosso profundo desespero, depois de um tempo de terapia, em 10.10.2025, minha filha detalhou todos os abusos sexuais sofridos no Colégio envolvido neste caso e que os atos sempre foram cometidos pelo Professor de Música, também envolvido nesta trama.
Minha filha teve bloqueio mental de parte do acontecido, recuperado apenas há pouco tempo; teve medo de contar; sofreu ameaça do Professor; sentiu-se culpada; e, sentiu-se suja. Todos sabem que o processo de conscientização de um abuso é assim.
Por isso é absurdo que o Professor, através de seus advogados, questionou o abuso, pelo tempo decorrido.
Quero dizer, como uma mãe envolvida em uma situação tão horrorosa, que quem sofreu o abuso passa por bloqueios e necessita de ajuda para trazer à tona o ocorrido. A marca no seu corpo e na sua alma não sairão nunca mais. A família é colocada em profundo caos mas tem que achar forças para acolher a filha e agir.
Minha filha foi abusada entre sete e oito anos. Era uma criança e só com o tempo entendeu que era um abuso sexual.
Hoje, minha filha vive à base de suporte psicológico e psiquiátrico; continua cobrindo o seu corpo; ainda é muito fechada para as pessoas; tem problemas com estudo; tem acentuada mania de limpeza; e, tem dificuldade de aceitar e manter qualquer relacionamento amoroso, o que já é comum entre os jovens de sua idade.
Se ela se recuperará? Não sei...
Como mãe, busco tudo e todos para que minha filha possa superar tamanha violência e desrespeito e retomar sua vida normalmente.
Fiz o que me cumpria como mãe: acolhi e busquei as autoridades competentes para a apuração dos fatos e condenações pertinentes.
Após eu saber dos fatos, também busquei as lembranças dela, aquilo que com certeza foi o seu terror por anos; eu queria nomes, função, quando, como, amigas, tudo que ela pudesse lembrar e, foi aí que se lembrou de uma amiga que atualmente estuda no mesmo Colégio e que estudou na mesma época e na mesma sala, no dito Colégio, quando ambas tinham oito anos.
A partir daí, juntei todos os relatos, áudios e provas para defender minha filha.
Fui até o Colégio, em 10.10.2025, quando descobri sobre o assédio sexual e expliquei toda a situação para a Direção. Mostrei os áudios de duas crianças chorando e relatando o ocorrido. Expus, ali em frente a duas mulheres, a minha vida, a vida da minha filha, dor, mágoa, indignação, revolta, medo...
Eu escutei da Direção: “...olha esse assunto é muito complicado, precisa ter provas, eu não posso afastar um Professor baseado nisso que você está me contando, mas vou acionar meu jurídico, estou a sua disposição para o que você precisar...”
Mais provas?????
Eu respondi: “... manter um Professor que fez isso com duas crianças, que provei, pode ser muito perigoso para as demais que ainda têm aula com ele e enquanto eu sentir que vocês estão dispostos a ajudar, meu problema não será vocês, mas eu vou atrás de mais vítimas, mais pessoas, mais mães e depois de tudo o que eu tiver em mãos eu perceber que o colégio manteve esse Professor, mesmo após outras reclamações, as conversas mudarão...”
O BO, contra o Professor de Música, foi lavrado em 12.11.2025.
As mães receberam o comunicado do afastamento do Professor, apenas em 24.10.2025.
Repito: minha reunião com o Colégio foi no dia 10 de outubro; o Boletim de Ocorrência em 12 de outubro.
O Colégio omitiu, por vários dias, todos os fatos e somente emitiu comunicado aos pais, no dia 24 de outubro.
E, mesmo assim, emitiu uma nota inverídica, dizendo que afastou o Professor, por motivo de doença, no primeiro dia útil após meu comunicado.
Tenho prova disso.
Meu papel, como mãe, era buscar pessoas, vítimas, mães, qualquer pessoa que provasse, junto comigo, que aquele Professor não deveria nunca dar aulas para crianças e para quem quer que seja.
Telefonei, perguntei, corri atrás e, para minha surpresa, muitas mães reclamavam desse Professor na Diretoria.
A Diretoria até chegou a falar que as crianças pudessem estar mentindo.
Outro detalhe muito importante é que o Professor maltratava os meninos e as mães iam à Diretoria reclamar da má conduta desse Professor e, por 25 anos, esse Colégio manteve não só um abusador de meninas, mas um Professor que odiava e maltratava os meninos.
Aos meninos, agressão física e moral; às meninas, violência sexual, abuso e ameaças.
Até quando teremos que nos calar perante à sociedade?
Quantas crianças passarão por isso?
Quantas meninas sofreriam abuso sexual por este Professor de Música, se eu não tivesse tornado isso público?
Até quando o Colégio seria omisso diante de tamanho horror?
E vou até o final, pela minha filha, pelas demais alunas e para que nenhuma aluna mais sofra isso.
Também para que nunca mais haja qualquer omissão por parte das Escolas, que prezam por reputação e não pela segurança de seus alunos que são deixados ali pelos pais, em confiança.
Vou repetir que tudo o que eu estou contando aqui, é provado e as autoridades competentes estão cientes.
Mães, alunas e ex-alunas tomaram conhecimento dos fatos e, muitas, tiveram coragem de relatar o que sabiam, que por mim foi relatado e agora é resumido.
DO PROFESSOR
Ele colocou sua mão por dentro da calcinha da minha filha.
Minha filha foi buscar água e ele encurralou-a e quase existiu a penetração, sendo que o ato só não se consumou porque chegaram outras pessoas no local.
Ele ameaçou minha filha. Se ela contasse o que acontecia para alguém, ele faria algo contra mim.
Ele colocava as meninas sentadas de perninha de índio e passava as mãos nas partes íntimas delas.
Quando a aluna pedia orientação ele sempre encostava seu órgão sexual nos ombros delas, quando estavam sentadas.
O Professor ensinava a tocar a flauta e se aproveitava disso para encostar nas crianças e entregava a flauta toda babada da boca dele.
O Professor de Música sempre teve grande predileção por alunas e, dentre as alunas, tinha as meninas preferidas.
Ele maltratava física e mentalmente, de maneira horrenda, os alunos, colocando-os em situações vexatórias e humilhantes.
Ele fazia uma fila de meninos e meninas para saírem da sala de aula; liberava a saída dos meninos e permanecia com as meninas em sala de aula, momento em que fazia as alunas abraçá-lo e beijá-lo e, depois dessa imposição, ele retribuía os beijos e abraços.
Muitas alunas migravam para a fila dos meninos, para fugir das investidas do Professor.
Muitas alunas desenvolviam pânico, principalmente um dia antes das aulas de música.
As alunas que eram arredias às suas investidas sexuais passavam a sofrer bullying e perseguição de sua parte. Não aguentando tanta pressão, saiam da Escola.
Ele ameaçava as alunas que sofriam assédio para evitar que contassem o ocorrido a alguém.
Ele tinha olhares estranhos para as alunas, o que inclusive era percebido pelos alunos.
Ele dava beijos com baba nas meninas, pegava seus materiais escolares e devolvia-os babados ou imprestáveis para o uso.
Ele tinha brincadeiras com as meninas que em nada condiziam com suas aulas de música e que levava o encontro da genitália das alunas ao seu corpo.
Muitas vezes o beijo que ele dava nas alunas atingia o canto da boca das crianças.
Ele ficava sozinho na sala de aula, com os alunos e alunas, sem a supervisão de professores ou funcionários da Escola.
Ele inventava exercícios onde as alunas tinham que ficar deitadas no chão, momento em que ele acariciava as pernas e barriga das meninas.
Ele saia sozinho, da sala de aula, com alunas, levando-as para locais mais escuros e solitários da Escola, momento em que passava a mão em seu corpo e em suas partes íntimas.
As alunas comemoravam quando iam para o 6º. Ano do Ensino Fundamental pois não teriam mais aula com o Professor de Música.
As meninas abusadas eram alunas do Pré III até a 5ª. Série.
DA ESCOLA
Como eu falei antes, os abusos são cometidos há muito tempo e tenho provas disso. Desde anos atrás. Ex alunas, que são casadas e hoje já mães, sofreram abuso por parte do Professor de Música.
A Escola sabe da situação de abuso sexual há anos.
Tenho provas de que funcionários da Escola, que tinham filhas como alunas de dito Professor, ficavam muito tensas e em vigília pois todos na Escola sabiam dos atos de abuso, inclusive Diretoria e Coordenação.
Alunas e mães noticiaram abusos e maltratos ao Colégio e não entendem o motivo pelo qual nunca foi tomada providência alguma contra o Professor.
A Escola tomou atitude só após a minha denúncia à Polícia e ainda mentiu sobre o motivo do afastamento pois quer prezar pela reputação e não pelo bem estar dos alunos e ex alunos.
Na minha opinião, a Escola foi omissa e não protegeu as crianças.
Fui notificada pela Escola, com cunho intimidatório.
É o que me cumpre a relatar.
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