No último dia 26 de julho, Franco da Rocha sediou a 2ª Conferência Municipal de Políticas Públicas para Mulheres, na nova sede da Prefeitura. Mais do que uma agenda institucional, o evento simbolizou um momento histórico: foi a primeira conferência do gênero realizada sob a gestão de uma prefeita mulher, em 80 anos de história do município.

A conferência teve como foco a formulação, fortalecimento e avaliação de políticas públicas voltadas à promoção dos direitos das mulheres, reunindo sociedade civil, lideranças comunitárias, conselhos, especialistas e servidoras públicas. Foi um espaço de escuta ativa e construção coletiva, onde as demandas femininas, muitas vezes invisibilizadas, ganharam centralidade nas discussões e propostas.
Além do caráter político e propositivo, o evento trouxe um olhar humanizado e plural, ao incorporar palestras, exposições de obras de arte, pintura ao vivo e apresentações de dança, valorizando a expressão artística como instrumento de resistência, pertencimento e transformação social. A cultura e a política caminharam juntas, mostrando que uma cidade mais justa se constrói com vozes diversas, corpos presentes e olhares sensíveis.
A realidade local impõe desafios concretos que exigem políticas públicas eficazes. O município de Franco da Rocha apresenta altos índices de vulnerabilidade social e desigualdade de gênero, especialmente nas periferias, onde muitas mulheres enfrentam jornadas exaustivas, acesso limitado a serviços públicos e ausência de políticas de cuidado. A conferência, nesse cenário, atua como um espaço de denúncia, mas, principalmente, de proposição de soluções.

A urgência da criação de centros de acolhimento, ampliação de serviços de saúde da mulher, ações de combate à violência doméstica, programas de capacitação profissional e incentivo à autonomia financeira foram algumas das pautas levantadas com contundência pelas participantes. Esses temas refletem a necessidade de políticas contínuas, estruturadas e com orçamento garantido, que não se limitem a ações pontuais ou simbólicas.
As conferências são espaços fundamentais para o exercício da democracia participativa. A partir delas, é possível não apenas apontar desigualdades, mas formular ações concretas que impactam diretamente na vida das mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social, vítimas de violência, mães solos, mulheres negras, indígenas, LGBTQIAPN+ e tantas outras cujas vivências precisam ser representadas nas políticas públicas.
Franco da Rocha dá um passo simbólico e estrutural ao realizar essa conferência sob a liderança feminina na chefia do Executivo. Mais do que uma pauta, trata-se de uma mudança de paradigma: incluir as mulheres como protagonistas da política é garantir que suas necessidades sejam prioridade e que seus direitos sejam efetivamente protegidos e promovidos.
Que a força desse encontro siga reverberando em ações permanentes e estruturadas. A democracia se fortalece quando todas as vozes são ouvidas, especialmente as que historicamente foram silenciadas.

Dra. Claudia Cavalcante
Advogada OAB/SP 468.550
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