Mãe amiga, tudo bem?
Como andam as coisa por aí.
Semana passada, nossa coluna foi sobre o "Agosto Lilás", mas hoje nossa reflexão é sobre o Agosto Dourado, campanha dedicada ao incentivo e à conscientização sobre a amamentação.
Mas será que, como sociedade, estamos realmente incentivando?
Quando você pensa em um chá de bebê, quais imagens vêm à mente? Mamadeiras decoradas, chupetas coloridas... e quantas vezes você viu um peito materno representado? Por que esse símbolo natural da alimentação do bebê ainda é tão invisível?
Vivemos em um mundo onde existe uma indústria gigantesca que lucra muito com a substituição do aleitamento materno. Não é por acaso que frases como "seu leite é fraco" continuam sendo repetidas. A verdade é que, na maioria das vezes, quando uma mãe não consegue amamentar, não é por incapacidade, mas por falta de orientação, informação e incentivo. Muitas não recebem o suporte adequado para lidar com as dificuldades iniciais, como a pega incorreta ou a dor, e acabam desestimuladas.
As fórmulas infantis existem e são importantes para demandas específicas, quando o aleitamento materno realmente não é possível. Mas elas não substituem o leite materno, que é alimento vivo, único e feito sob medida para o seu bebê.
Outro ponto importante: o uso de bicos artificiais, como mamadeiras e chupetas, pode atrapalhar muito a amamentação, especialmente nos primeiros meses. Ainda assim, são itens normalizados e até celebrados culturalmente.
A Organização Mundial da Saúde recomenda amamentação exclusiva até os 6 meses e complementada até 2 anos ou mais. Sim, amamentar um bebê grandinho também é saudável, natural e benéfico. Mas como cumprir essa recomendação se a legislação trabalhista garante, na maioria dos casos, apenas 4 meses de licença maternidade? Essa conta não fecha e reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e de uma rede de apoio real.
E para você, mãe, que não conseguiu amamentar: não se culpe. Isso não te faz menos mãe. O amor que você dá ao seu filho não se mede pela forma como ele se alimenta, mas pelo cuidado, presença e afeto que recebe.
Amamentar é nutrir o corpo, mas também é nutrir o vínculo e o futuro. O leite materno é ouro. E este Agosto Dourado é um convite para que todas nós, juntas, valorizemos e defendamos esse direito.
Qual tipo de amamentação você teve em sua maternidade?
Estamos prontos, como sociedade, para proteger o ouro que nasce no peito das mães?
Você já parou para pensar em quantas mães poderiam amamentar mais se tivessem apoio e informação?
São muitas reflexões, minhas amigas. Seguimos juntas.
Forte abraço, até semana que vem!
Débora Preto
Mãe, educadora e umas coisinhas a mais
Comentários: