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Quarta-feira, 29 de Julho 2026
A BATATA QUENTE DO INSS E SUA CORTINA DE FUMAÇA
Nego Dan

A BATATA QUENTE DO INSS E SUA CORTINA DE FUMAÇA

Não é de hoje que o Brasil enfrenta escândalos de corrupção, porém, a bola da vez agora é o INSS

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O primeiro ponto a ser destacado é que lulistas e bolsonaristas sempre têm desculpas para tudo, por mais que sejam esfarrapadas. A ala progressista afirma que o esquema de corrupção já havia começado no governo Bolsonaro, e que, mesmo com mais de 16 mil denúncias, o governo da época não investigou. Já a ala conservadora afirma que o esquema foi intensificado no governo Lula, totalizando 35 mil denúncias ao todo. Além disso, o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, que pediu demissão após o escândalo vir à tona, sabia do esquema, e até mesmo sindicatos e empresas ligadas ao irmão do presidente Lula estavam supostamente se beneficiando. Rapidamente, deputados, ótimos nas redes sociais e péssimos no Congresso, se levantaram para agitar a internet. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) gravou seu tradicional vídeo com fundo preto e música de suspense, alcançando milhões de visualizações. Imediatamente, deputados da esquerda montaram uma força-tarefa para responder à altura. Políticos como Guilherme Boulos (PSOL), Tabata Amaral (PSB) e Erika Hilton (PSL) foram às redes sociais acusar Nikolas Ferreira de espalhar fake news.

O segundo ponto é que agora surge uma denúncia que indica que esse esquema pode ter começado muito antes do que se imagina. Segundo uma matéria do G1, dos jornalistas Guilherme Balza e Andréia Sadi, uma idosa que recebe pensão pela morte do marido encontrou descontos irregulares desde maio de 1996. O caso trata-se da pensionista Lidia Clarinda de Souza, de 84 anos, moradora de Humaitá, no interior do Amazonas. Analfabeta, a idosa teve ajuda do neto para verificar que os descontos começaram com R$2,00 e já estavam em R$30,36. Se casos como esse começarem a surgir com mais frequência, com certeza o "chiclete" será esticado para outros governos além dos de Lula e Bolsonaro. No Brasil, quando todos têm culpa ao mesmo tempo, ninguém tem culpa.

O terceiro e último ponto é que, sempre que algo grande acontece e alguém precisa ser responsabilizado, coincidentemente cortinas de fumaça começam a surgir. Assim que o escândalo do INSS veio à tona, a comoção da população foi grande, pois, ao saber que idosos estavam sendo enganados, o pedido por justiça foi intenso. Porém, a senadora Soraya Thronicke foi a relatora de uma das CPIs mais cômicas da história recente do Brasil: a CPI das bets. Ela levou influencers com milhões de seguidores ao Congresso para serem interrogados. Pseudocelebridades como Virginia Fonseca e Rico Melquíades literalmente deram um show de stand-up, pagos com dinheiro público, dando uma espécie de tutorial sobre como fazer apostas. Virginia Fonseca confessou até usar contas falsas para fazer demonstrações de apostas e seduzir seus seguidores. Já Rico Melquíades chegou a fazer apostas diante dos senadores e disse estar dentro do amparo da lei, já que o Congresso estava discutindo a regulamentação das casas de apostas. Por fim, ele reclamou que o tratamento recebido foi diferente do de Virginia, pois a influencer chegou a ganhar seguidores dentro do Congresso durante o interrogatório e foi até mesmo tietada, com pedidos de fotos e vídeos. A verdade é que a CPI das bets tirou toda a atenção do escândalo do INSS. Não que as casas de apostas não devam ser investigadas — sabemos que milhares de pessoas estão gastando seus salários nesses jogos, levando à destruição de famílias e lares —, mas essa investigação precisa ser levada a sério, pois o assunto é de extrema importância. No entanto, a relatora da CPI, senadora Soraya Thronicke, já avalia acionar o STF para prorrogar a CPI, que pode contar com depoimentos de Gkay, Jojo Todynho, Tirulipa e companhia. Agora, imagine se teremos espaço para uma investigação séria sobre o escândalo do INSS. A cortina de fumaça já está armada.

Agora, quanto seria o valor gasto em uma audiência de um simples processo trabalhista, com advogados, juízes e acordos a serem cumpridos? Imagine quantos milhões de reais de dinheiro público circulam numa CPI bizarra como essa. E, enquanto a batata quente do INSS é transferida de um lado para o outro dos supostos culpados, cabe ao povo brasileiro aguardar as cenas dos próximos capítulos dessa novela tragicômica e ter a convicção de duas certezas: a primeira é que a cortina de fumaça já está passando diante dos nossos olhos, e a segunda é que quem vai pagar todo esse preço — seja de CPI ou de ressarcimento do INSS — é o povo telespectador dessa novela de final patético.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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