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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
Setembro Amarelo

Débora Preto

Setembro Amarelo

E a saúde mental das mães

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Domingo, muito cedo, enquanto o café passava, pensei: vou escrever sobre o Setembro Amarelo no recorte da maternidade. Horas depois, no mercado, vivi uma cena que confirmou a urgência desse tema.

 

Na fila, um casal na casa dos 50 discutia por causa da filha de vinte e poucos anos. A esposa, em lágrimas, me puxou para a conversa: dizia que o marido não a apoiava e que a filha a ignorava. Chorando, confessou que achava estar em depressão, pois não conseguia parar de chorar em nenhum momento do dia.

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Naqueles minutos em que a fila parecia não andar, fiz o que pude: ouvi, acolhi e sugeri que buscasse ajuda na UBS do bairro, que conversasse com o médico sobre o que estava sentindo e que pedisse encaminhamento para o CAPS, onde poderia ter acompanhamento psicológico. Disse a ela que procurar ajuda é um ato de coragem. Ao sair, ela segurou minha mão, me agradeceu e disse que minhas palavras tinham feito ela sentir-se muito melhor.

 

Esse encontro me fez refletir ainda mais sobre o Setembro Amarelo, campanha nacional de conscientização e prevenção do suicídio, cujo lema é simples, mas transformador: falar pode salvar vidas.

 

Na maternidade, esse tema ganha um peso especial. Além do amor imenso pelos filhos, carregamos também a chamada carga mental, a responsabilidade de pensar em tudo, planejar, organizar e cuidar de cada detalhe da casa, do trabalho, da escola, das contas, das vacinas. É uma sobrecarga invisível, que muitas vezes gera exaustão e sentimentos de culpa.

 

É nesse contexto que a rede de apoio se torna essencial. Família, amigas, vizinhas, outras mães, profissionais de saúde, qualquer pessoa pode ser parte dessa rede. Ter alguém para ouvir, dividir tarefas ou simplesmente acolher faz toda a diferença. E quando mães apoiam outras mães, fortalecemos não apenas quem recebe o cuidado, mas toda a comunidade.

 

Neste Setembro Amarelo, deixo um convite: vamos cuidar da nossa saúde mental, falar sem medo, pedir ajuda sem culpa. Porque uma mãe bem cuidada consegue cuidar melhor dos seus. E, acima de tudo, falar pode salvar vidas. E você, já pensou em quem é a sua rede de apoio e em quem você pode apoiar hoje?

 

Débora Preto

Mãe, educadora e umas coisinhas a mais ...

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Débora Preto

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Débora Preto

Mãe, educadora, escritora, ativista, coordenadora do Movimento Senai em Franco e Conselheira Municipal dos Direitos da Mulher

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