Inspirado no livro "Calidoscópio - A Saga de Pedro Malazarte", da escritora Ruth Guimarães, o espetáculo "Malazarte" chega aos palcos sob a direção de Flávia Bertinelli. A produção, com dramaturgia de Luís Alberto de Abreu e Eduardo Bartolomeu, coloca no centro do palco duas histórias conhecidas do personagem folclórico: "A Panelinha Mágica" e "A Sopa de Pedras".
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Para narrar essas fábulas, o grupo constrói um universo cênico repleto de elementos da cultura caipira. A dança do catira, canções ponteadas por violas, aboios e referências à troperia compõem a ambientação. A simbologia da peça propõe uma viagem a um "tempo da memória", um lugar distante acessível pela imaginação do público. A musicalidade é executada ao vivo pelos músicos Danilo Pique e Mário Deganelli, que criam a paisagem sonora e projetam os objetos invisíveis da trama.
O jogo teatral é desvelado diante do espectador, sem o uso de coxias ou truques ocultos, tornando o público um elemento essencial para a brincadeira cênica acontecer. A encenação também utiliza máscaras, inspiradas na commedia dell'arte, mas adaptadas aos tipos da cultura popular caipira, representando andarilhos e tropeiros.
A montagem é uma realização da Casa Realejo de Teatro, grupo com 11 anos de trajetória e ancorado na Região da Bacia do Juquery, que desenvolve trabalho com comunidades das cidades de Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã. Fundado pelo ator e dramaturgo Eduardo Bartolomeu, o grupo nasceu com um trabalho de arte-educação com crianças em situação de acolhimento e já produziu outros seis trabalhos cênicos, além de dois filmes-documentários.
A sinopse da peça a situa em "uma cidade inventada", que antes era mata por onde um bando de tropeiros passava. Ao pé de uma fogueira, esses tropeiros contam e revivem histórias de Pedro Malazarte, repletas de "embruiagens", canções e sapateados. A narrança levanta uma questão central: "Onde está Malazarte, 'o sem-vergonha', no nosso mundo atual?".
Com duração de 50 minutos e classificação etária livre, "Malazarte" convida o público a "viver um bucadinho no passado, ou no futuro, para voltar ao presente com mais coragem".
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