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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
Agosto Lilás

Débora Preto

Agosto Lilás

Pelo direito à vida de todas as MARIAS

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Meu maior sonho era ser mãe de menino. Imaginava um serzinho de calça jeans, camiseta polo e cabelo arrepiado.
Do sonho, apenas o cabelo não foi real. Mas todos os outros pedacinhos preencheram o meu mundo chamado maternidade.

O desejo de aumentar a família surgiu, principalmente vindo daquele menininho de calça jeans. Ele dizia que queria uma irmã. Tinha certeza de que seria ela.

Logo o forninho foi preenchido, e a certeza de ser a irmã crescia junto com a barriga.

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A confirmação veio em um ultrassom do qual ele participou empolgadíssimo. De presente, ganhei um colar com dois serzinhos, já comprado antecipadamente com a certeza de que ela estava ali, crescendo com saúde e amor.

Me lembro da felicidade, da emoção… e também de uma preocupação que tomou conta de mim.
A partir daquele momento, muitas coisas começaram a ganhar novo significado.

Eu pariria uma mulher. E esta mulher não seria nada menos que uma Maria.

Percebi, quase de imediato, que o desejo absoluto de ser mãe de menino vinha, na verdade, do medo de ser mãe de menina. Com todas as nuances psicossociais e históricas de colocar mais uma mulher no mundo.

Uma chave virou. E não havia mais como voltar atrás.

Deixei o medo de lado e o amor tomou conta, com a certeza de que criaria uma mulher que pudesse existir em sua plenitude.

Mas afinal, o que o Agosto Lilás tem a ver com tudo isso que escrevi?

Tem a ver com o medo que, por anos, silenciou tantas mulheres. Inclusive em seus desejos mais íntimos, como o de maternar uma filha.

Tem a ver com o legado que queremos deixar para as nossas meninas. Um mundo onde elas não sejam apenas mais uma estatística.

Tem a ver com o compromisso de educar nossos garotos de calça jeans para que sejam aliados, sensíveis, respeitosos e conscientes do seu papel em uma sociedade que precisa, com urgência, de equidade.

Agosto Lilás é um lembrete de que a violência contra a mulher não começa com um tapa. Ela começa com o controle, com a invisibilização, com a crença de que ela vale menos.

Criar uma mulher, parir uma Maria, é um ato político e transformador.
E criar um homem que a respeite, escute e caminhe ao lado dela, também.

Que Pedro e Maria possam deixar seu legado positivo no mundo.

Por isso, essa causa é, sim, de todos nós.
Por mim.
Por ela.
Por ele.
Por todas.

Um forte abraço envolto em um laço lilás,

Débora Preto
Mãe, educadora e umas coisinhas a mais

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Débora Preto

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Débora Preto

Mãe, educadora, escritora, ativista, coordenadora do Movimento Senai em Franco e Conselheira Municipal dos Direitos da Mulher

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