No domingo 21 de setembro, um incêndio de grandes proporções destruiu mais de 10 mil m² de vegetação na Serra da Cantareira. O fogo, noticiado por veículos como UOL e G1, ameaçou a fauna silvestre, animais domésticos e residências. O primeiro alerta partiu pouco antes das 10h, à gestão do Jardim da Montanha, loteamento onde as chamas começaram.
Às 10h20, acionei o Corpo de Bombeiros, a gestão do Parque Estadual da Cantareira, a coordenação do programa estadual SP Sem Fogo e a administração do recém-inaugurado Parque Linear Córrego do Bispo, que integra o conjunto de parques da Borda da Cantareira, planejados à preservação da Serra e de seus mananciais. Ele recebeu aporte de R$ 4 milhões num sistema de monitoramento para prevenção aos incêndios, além de equipamentos que incluem veículos e brigadistas temporários. Também comuniquei a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, solicitando apoio para o acionamento da Defesa Civil de Mairiporã, já que tentativas diretas, até então, haviam sido frustradas.
Trinta minutos depois, estavam todos na ocorrência, exceto a equipe da Defesa Civil de Mairiporã. Na segunda-feira, 22, um dia após a ausência no incêndio, a página do Instagram da Prefeitura de Mairiporã exibia um vídeo bem humorado do responsável pela área. Ele trazia um alerta sobre a incidência de chuvas – chuva muito comemorada no final da tarde de domingo, para apagar o incêndio que já havia atravessado a estrada, graças às fortes rajadas de ventos.
Em 23 de setembro, outra postagem: um card afirmava “diga não às queimadas. Mairiporã faz parte dessa luta. Queimada é crime”. Curiosamente, a legenda citava os incêndios de 2024 no estado e divulgava o contato da Defesa Civil paulista. Nenhuma referência ao que havia acabado de ocorrer no município. Como se não fosse urgente, numa cidade com mais de 80% de cobertura florestal, ter um plano de prevenção, monitoramento, controle e combate aos incêndios florestais. Como se não precisássemos do apoio e atuação da Defesa Civil, da gestão pública municipal, na fase de prevenção com limpeza de biomassa das vias, com campanhas de conscientização e educação ambiental, com atuação no front para o combate aos incêndios que se espalham pela cidade e para responsabilizar aqueles que causam todo esse prejuízo ambiental.
É diante desse cenário, de incêndios em Mairiporã, na Serra da Cantareira, da ausência do poder público que nasce a Caxinguelê, primeira Brigada Popular Florestal da cidade. Foram meses de formação, articulação e criação de uma rede de apoio. No dia 21, ela estava presente. Já não estamos sozinhos.
Porque não é mato pegando fogo, como muitas vezes ouvimos ao ligar 193, sem conseguir endereçar a floresta para atendimento. É o nosso lar e de tantas outras espécies. Nós nos organizamos para defender nossa floresta. Mas é preciso mais!
Os incêndios florestais têm se tornado uma preocupação cada vez maior, à medida que enfrentamos os desafios das mudanças climáticas. Previstas no plano de adaptação, as brigadas voluntárias e comunitárias agem muitas vezes como a primeira linha de defesa. São eficazes na prevenção, porém com pouco ou sem nenhum recurso financeiro. Sua proximidade com as áreas afetadas e seu conhecimento do território desempenham um papel importante.
Os incêndios florestais são catástrofes. Geram perda de cobertura vegetal, emissão de gases do efeito estufa, risco à vida e à saúde de moradores, perda de biodiversidade, impacto no abastecimento de água quando áreas de manancial sofrem queimadas. Investir na criação e apoio a brigadas florestais leva à prevenção, à ampliação da possibilidade de combate inicial aos focos e ao ganho de comunicação entre população e órgãos oficiais. Parafraseando o slogan da Defesa Civil, brigadistas têm que ser “todos nós”.
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