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Domingo, 08 de Fevereiro de 2026
Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos

Yasmin Malaquias

Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos

O poder de Clube de Esquina (para mim)

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Lançado em 1972, o álbum Clube de Esquina é um marco na história da música brasileira. Recentemente foi eleito como o melhor álbum do país de todos os tempos pela Paste em 2024 e marcou a nossa produção discográfica. Assinado por Milton Nascimento e Lô Borges, que faleceu nessa semana, foi um dos primeiros álbuns de estúdio brasileiro com dois cantores — que cantam sozinhos em algumas das músicas. Com 21 músicas e 1h4 de duração, dois meninos de Belo Horizonte mudaram a Arte brasileira.

Seria acaso do destino que esses dois morassem no mesmo prédio da capital mineira? E que um deles, quando tinha 10 anos, iria descer do 17° andar e ouvir uma voz inebriante ao som do violão? Eu não você, meu leitor, acha, mas eu tenho certeza que não. No auge de seus vinte anos, Milton — ou Bituca, como ele se apresentou — acolheu aquele menino que ia comprar os pães do café da tarde que a mãe tinha pedido. Assim, nasce uma das amizades mais frutíferas da MPB.

Mais de 50 anos depois de seu lançamento, eu conheci “Clube de Esquina”, através de uma música nada usual e talvez não tão conhecida do álbum, que é Um gosto de sol. Daí, eu me perdi completamente nas músicas, mas aquele que leva o mesmo nome do álbum é a mais especial. Em um dos seus versos, diz: “Porque se chamavam homens/ Também se chamavam sonhos/ E sonhos não envelhecem”. Nós somos irremediavelmente  nossos sonhos: nos movimentamos por eles, acordamos e vivemos querendo alcançá-los. Embora surjam outras prioridades nas nossas vidas, eles nunca envelhecem – nunca são esquecidos. Existe mensagem mais poderosa que essa?

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Em outra canção Um girassol da cor do seu cabelo, Lô canta: “Se eu morrer, não chore não/ É só a lua (...)/ Você vem?/ Ou será que ainda é tarde demais?”, o que é tão significativo nessa triste semana. A música, que vai progredindo no ritmo, apresenta um eu-lírico que chama por alguém e que acha que talvez seja tarde demais, talvez não haja como encontrá-la novamente, embora tudo à sua volta – o girassol, da cor do cabelo, o mar, da cor do vestido  – lembra quem canta dessa pessoa.

            Clube de esquina, Lô Borges e Milton Nascimento são extremamente formativos para mim, no sentido didático mesmo: me mostram um pouco da vida que é tão bela, frágil e dura. Que honra é ser do mesmo país desses gênios, que vivem eternamente através de suas obras.

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Yasmin Malaquias

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Yasmin Malaquias

É estudante de Letras da FFLCH-USP e dedica-se ao estudo e à produção de literatura

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