Olá, mãe amiga! Como vai ?
Espero que esteja tudo bem por aí.
Minhas amigas, há alguns anos escrevi sobre cama compartilhada, mas senti que era hora de retomar esse assunto. Espero, de coração, que essas palavras cheguem até vocês como um abraço apertado. Bora lá?
Maria faz sete anos esta semana. Estamos nos despedindo da querida "primeira infância".
Algumas mães que me acompanham há mais tempo talvez se lembrem dos meus relatos sobre como Maria Alice foi um bebê extremamente demandante. Tive uma experiência muito tranquila com PH (hoje sei que foi quase um privilégio raro), pois ele era um bebê que dormia tanto que às vezes precisávamos acordá-lo para mamar.
Maria, por outro lado, mamou desde o primeiro minuto... e não quis parar mais. A livre demanda foi realmente livre, e a sucção não nutritiva era constante.
Na primeira semana de vida tentei de tudo para ela "desgrudar" de mim. A privação de sono já estava no seu ápice. Nada a fazia ficar no berço ao lado da cama, no berço do quarto (piada, né?), no carrinho, no bebê conforto, no colo de outro alguém...
Ela queria a mãe.
Tão óbvio ",mas tão difícil de entender, aceitar e sustentar, especialmente no cansaço dos primeiros dias. Ela era "apenas" um "filhote humano" e suas necessidades.
Uma tarde foi decisiva. Eu estava amamentando sentada no meio da cama, adormeci não sei por quanto tempo... e quando acordei, ela já não estava mais no peito, com metade do corpinho escorregando pelas minhas pernas esticadas. Acordei a tempo, graças a Deus.
Foi ali que compreendi: não haveria outro caminho. A cama compartilhada seria nossa jornada.
Ela mamaria o quanto quisesse e eu, pelo menos, conseguiria descansar um pouco.
Li muito sobre o assunto. Adaptei tudo para manter a segurança. E a cama compartilhada foi, honestamente, uma das melhores decisões da nossa rotina.
O tempo passou, Maria cresceu. O desmame aconteceu aos 2 anos e 4 meses... mas a tal da cama compartilhada ainda era parte do nosso dia a dia, e sem previsão de fim.
O berço (aquele, das fotos bonitinhas) nunca foi funcional por aqui. Tentamos a transição para o quarto dela, cama no chão, tudo certinho. Mas o que ela queria era nosso quarto. Nossa cama.
Sim, ao longo dos anos, ela dormiu algumas noites na cama com o irmão, com a avó, no próprio quarto, com história contada, pais deitados até ela dormir, saindo de fininho (ou nem saindo). Mas o toc toc na porta de madrugada... esse era um som comum por aqui.
E a pergunta vinha: até quando?
Li uma frase que permeou minha maternidade:
"Ninguém pede aquilo que não precisa."
A criança precisa de confiança, vínculo e previsibilidade. E talvez seja justamente o quarto dos pais que ofereça isso.
Escrevo este texto quase ao clarear do dia e ... Maria ainda dorme em seu quarto! Faz apenas alguns dias que ela dorme a noite inteirinha por lá !
Então, respondendo à pergunta que dá título a este texto:
até quando nossos filhos precisarem!
Uma hora a gente se torna menos necessária... e pode ficar tranquila: essa hora chega.
A infância passa rápido.
Os marcos de desenvolvimento são importantes (e não devem ser ignorados!), mas ser criança não é ciência exata : é ciência humana.
Guarde com carinho essa frase:
"Não é o berço que tem espinho, é o colo que tem amor."
Amor não estraga filho.
Independência só floresce onde há segurança.
E passar a noite sozinho, para alguns pequenos, pode não ser a melhor forma de aprender sobre confiança.
Aliás, vamos pensar juntas: a maioria de nós, adultos, passamos as noites em uma cama de casal, ao lado de alguém.
Companhia, carinho, segurança... faz bem pra todo mundo.
E lembre-se sempre: na maternidade não há receita do que é certo. Certo é o que funciona para sua família e acalenta seu coração!!
Como esse texto chega pra você?
Te acolhe? Te alivia? Te faz refletir? Me conta!
Até a semana que vem.
Grande abraço,
Débora Preto
Mãe, educadora e umas coisinhas a mais...
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