As licitações sem ações lícitas não passam despercebidas, porque o tempo passa roupa suja amassada, quando, no passado, não são passadas com ferro quente, e porque até uva-passa e tem gente encantada que sequer fica passada na farinha de rosca, porque, quando as bolas batem nas bandas, o pior já passou. No canto da sala, a cantada é o canto da sereia na ópera do malandro, que vocaliza em baixo tom quantos contos afina a bateria de cartas marcadas, de cartas de crédito, e manuscritos como em cartas de amor eterno, a selar o chamamento público para o carteiro chamar seu nome com a carta na mão, cuja a letra logo reconheceria.
LAMA DE LAGOINHA
Era para nadar de braçadas, mas nada como um dia após o outro e um tribunal no meio. Gilócenado, que não saberia de nada, achou que a bacia do Juquery era um leito de águas mansas para natação olímpica. Mas que nada! A chuva de ouro dos mananciais, virou chuva de prata e acabou em lama de lagoinha. Ele não levou a sério as advertências para lavar a roupa suja em casa, porque levava uma vida de rei. Sempre levado levava a vida no arame e horas para se vestir. Não percebeu que era um faz de conta e, quando a conta chegou, contraiu os músculos mais íntimos, e, ainda por cima, arregalou os olhos quando viu sua parceira contrair núpcias, ao que, em desespero, contraiu um transtorno depressivo recorrente. E não adiantou recorrer, pois o recurso foi negado diante das razões repetidas que não limparam a sujeira da lama.
AS LICITAÇÕES SEM AÇÕES LÍCITAS TALHADAS NO FERRO
Então aliado a seu amigo Chaves de cadeia, Gilóceano dispensou as ações lícitas para contratar uma terceirizada para cuidar da saúde junto com outras contratadas para compor os desembolsos nesse Pronto Atendimento na ordem de R$105.000.000,00 (cento e cinco milhões de reais). Nessa aliança, o amigo da onça – intermediado por uma magistral figura talhada no ferro que utilizava o cargo público para benefício financeiro próprio e de terceiros pessoas físicas e jurídicas, prevaricação, peculato, corrupção, tráfico de influência, associação com organizações criminosas (PCC, CV) e com velhos conhecidos implicados na operação Raio X da Polícia Federal – passou o ponto para outra santa picareta. Essa irmandade foi pega de calças curtas, apesar das curtidas durante cinco anos, especialmente com a distribuição de verbas por meio dos Termos de Acerto de Contas, a que não ficou alheio o Tribunal de Contas, que descobriu a contabilidade fajuta, porquanto era só tirar o líquido do bruto.
CARTAS RIDÍCULAS
Para não dizer que não se falam das flores, bem que se quis guardar segredos de liquidificador, pois restaram apenas os caracóis dos detalhes de uma vida bandida. Talvez esse período Giloceânico transformou muitos em esquizofrênicos; em mudos dançantes conforme a música no Baile; em reféns da mística; em colecionadores de ossos; em inocentes úteis como Forrest Gump; em confusos como em Zabriskie Point; em folclóricos como na Marvada Carne; em lascivos como em Decameron; em infantilizados como em O Poderoso Chefão; em passionais como em Moulin Rouge; fervorosos como em O Pagador de Promessas; ou em hedonistas como em Hair. Seja como tudo for, as reiterações dos fatos também emolduraram a paisagem, a clamar por razões que só o inconsciente permite desvendar a ilusão de tempo sem espaço, para sobrevivência de humores, que ressuscitam sentimentos de uma nostalgia particular, que sucumbe à realidade da incompetência, dos crimes e de pessoas que sequer são ridículas, como aquelas que escrevem cartas de amor. Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas, e quando recebem do carteiro cartas marcadas, não merecem sequer um amor bandido.
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