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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
CHEGAMOS À ÚLTIMA ETAPA: A VIOLÊNCIA!

Nego Dan

CHEGAMOS À ÚLTIMA ETAPA: A VIOLÊNCIA!

Com o assassinato de Charlie Kirk, o debate em torno da polarização ganha mais um capítulo em sua história recente.

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Chegamos à última instância da polarização: a violência política toma conta de grande parte das democracias do Ocidente. A moderação política deu lugar a debates cada vez mais efervescentes, com ideologias e identitarismo alimentando embates de narrativas que acabam por desencadear atos violentos. No último dia 10 de setembro, o influenciador político Charlie Kirk foi covardemente assassinado com um tiro no pescoço em um campus da Universidade do Vale de Utah, diante de uma multidão e sob a presença de câmeras por todos os lados.

Antes de falar sobre Charlie Kirk, quero deixar claro que um crime como esse jamais pode ser normalizado. Kirk fazia política como ela deveria ser feita: debatendo ideias. Inspirado no modelo da democracia grega — tão estudado nos cursos universitários —, onde a população se reunia nas praças públicas para discutir o que julgava melhor para o povo, Charlie seguia essa linha. E, por colocar suas opiniões no debate público, jamais poderia ter sido assassinado dessa forma brutal, deixando uma esposa e duas filhas pequenas. Espero sinceramente que suas filhas nunca tenham acesso às imagens do pai sendo executado em praça pública apenas por emitir sua opinião.

Diante dessa tragédia, vimos uma onda de comentários deploráveis, como se Kirk merecesse o fim que teve. Um exemplo foi o do escritor e historiador Eduardo Bueno, que declarou:
“Mataram o Charlie Kirk. Ai, coitado, tomou um tiro, não sei se na cara, o Kirk. Tem duas filhas pequenas, que bom pras filhas dele, né? [...] Que terrível um ativista ser morto por ideais, exceto quando é Charlie Kirk.”

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Logo após essa declaração em suas redes sociais, Eduardo Bueno passou a sofrer uma série de ataques — o que, com esse tipo de atitude, não é surpreendente. Diversos eventos dos quais ele participaria foram cancelados por medo de represálias e pela segurança dos convidados. O escritor também perdeu contratos e foi imediatamente desligado do Conselho Editorial do Senado. Em um vídeo de retratação, publicado nas redes, tentou se desculpar, dizendo que havia se excedido. No entanto, reafirmou seu desprezo por “esse tipo de gente” e chegou a se referir a Charlie Kirk como “a criatura que foi assassinada” — o que acabou inflamando ainda mais a polarização que ele próprio dizia querer ver encerrada. Em vez de apagar o incêndio, apareceu com um balde de gasolina.

Como cristão, deixo claro meu total repúdio a esse tipo de crime. Atentar contra uma vida dessa forma é inaceitável à luz das Escrituras Sagradas.

Charlie Kirk era, em certo sentido, uma espécie de “Nikolas Ferreira dos EUA”: jovem, branco, conservador e cristão. Ao expor seus ideais, buscava atrair jovens universitários para uma perspectiva de mundo cristã. Muitos conservadores acreditam que as universidades são espaços de doutrinação marxista, e Kirk queria fazer frente a isso por meio do debate. Ainda que suas ideias fossem controversas — e por vezes extremamente ofensivas —, o método deveria sempre ter sido o diálogo, não a violência.

Charlie Kirk se aproximava, sim, de discursos extremistas. Defendia publicamente ideias como execuções públicas de criminosos, linchamentos em praça pública com venda de ingressos, inclusive para crianças — algo bárbaro. Também declarou que os negros eram “mais felizes na escravidão” porque cometiam menos crimes, além de defender o fim do Estado Palestino e da cultura daquele povo.

Apesar disso, há quem tente vender a narrativa de que Charlie Kirk morreu por “pregar o Evangelho”. Porém, no momento em que foi covardemente assassinado, ele propagava esse tipo de ideia descrita acima. Isso nos leva a um questionamento: é possível se intitular cristão e, ao mesmo tempo, defender ideias tão violentas? A resposta é complexa. Há quem use a fé para justificar todos os tipos de comportamentos, desde pequenos delitos até crimes graves, e ainda assim frequentam igrejas em busca de salvação.

Não podemos considerar Charlie Kirk um mártir cristão — mas também não podemos, de forma alguma, justificar o modo covarde como ele foi morto.

Logo após o crime, iniciou-se uma verdadeira caçada ao assassino. Lideranças conservadoras imediatamente acusaram setores progressistas radicais e falaram em "guerra ideológica". No entanto, ao se descobrir a identidade do assassino, tratava-se de Tyler Robinson, de 22 anos, vindo de uma família conservadora e cristã. Ele teve acesso a armas desde criança, algo fortemente defendido por Kirk. A mãe de Tyler afirmou que, nos últimos tempos, o filho havia se tornado “mais esquerdista”. Um colega trocou mensagens com ele após o crime, nas quais Tyler afirmou estar cansado do “ódio propagado por Charlie Kirk”, o que teria motivado a atrocidade.

Enfim, como cristão, chego à mesma conclusão descrita no livro de Tiago 3:11:
“Porventura deita alguma fonte de um manancial água doce e água amargosa?”

Portanto, não posso justificar, jamais, qualquer tipo de violência. Meu desejo é que todos se arrependam de seus erros e aprendam a amar o próximo como a si mesmos. Somente assim poderemos sonhar com um mundo melhor.

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Nego Dan

Publicado por:

Nego Dan

Barbeiro, cristão afrodescendente, formado em educação física e professor de boxe

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