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Segunda-feira, 20 de Abril de 2026
O sucesso da cultura brasileira no exterior fortalece a economia do país

Dani Almeida

O sucesso da cultura brasileira no exterior fortalece a economia do país

Entenda como os prêmios do cinema e a fama das novelas geram empregos e trazem dinheiro para o Brasil

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O Brasil vive um momento histórico e contínuo de reconhecimento da nossa cultura. A
prova mais recente disso aconteceu no último domingo, dia 11 de janeiro, quando o filme O
Agente Secreto foi o grande destaque do Globo de Ouro. A produção, dirigida por Kleber
Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura, venceu em duas categorias de peso:
Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Ator em Filme Dramático.
Essa vitória não é um evento isolado, mas a confirmação de uma fase de ouro para o nosso
audiovisual. Ela reforça o caminho aberto no ano passado pelo filme Ainda Estou Aqui, de
Walter Salles, que também conquistou a crítica mundial, rendeu prêmios à atriz Fernanda
Torres e venceu o Oscar. Ou seja, o cinema brasileiro deixou de ser uma promessa para
virar uma potência premiada de forma consistente.

Para conquistar esse espaço, O Agente Secreto apostou em uma trama que mistura tensão
política e drama pessoal. Ambientado em 1977, o filme narra a fuga de Marcelo (Wagner
Moura), um professor universitário que deixa São Paulo rumo ao Recife para escapar da
perseguição da ditadura militar e proteger o filho. O modo como o diretor usa a arquitetura
das cidades para contar essa história foi decisivo para encantar os jurados internacionais.
Há uma conexão profunda entre essas duas obras: ambas olham para o passado do Brasil
para explicar quem somos. Tanto Ainda Estou Aqui quanto O Agente Secreto são
ambientados durante a ditadura militar e mostram como famílias comuns foram
atravessadas pela repressão. Foi justamente sobre isso que Wagner Moura falou ao
receber seu prêmio.

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Em um discurso emocionante, o ator lembrou que o filme trata de memória e trauma,
defendendo que, se a dor passa de geração para geração, os valores também passam. Ao
dedicar a vitória a quem mantém esses valores vivos, ele mostrou ao mundo que a nossa
cultura é feita de resistência.
“Eu acredito que se o trauma pode ser passado de geração em geração, os valores também
podem. Então esse prêmio vai para aqueles que se mantêm fiéis aos valores nos momentos
difíceis" - Wagner Moura em seu discurso no Globo de Ouro

Enquanto o cinema brilha nos festivais, as novelas brasileiras conquistam o público de
massa pela internet de outra forma. Diferente do modelo antigo de exportação para TV
aberta, a produção recente Três Graças chegou diretamente ao público estrangeiro via
plataformas de streaming. Isso gerou um fenômeno de viralização nas redes sociais, com
fãs traduzindo cenas e criando comunidades online, provando que nossas histórias têm
força para engajar audiências globais instantaneamente.
Todo esse sucesso artístico se transforma em riqueza real para o país. Estudos recentes da
Oxford Economics, em parceria com a MPA, confirmam que a indústria audiovisual injeta
cerca de R$ 70,2 bilhões por ano na economia brasileira. O impacto na geração de trabalho
também é enorme: segundo dados da Ancine, o setor sustenta mais de 600 mil empregos
diretos e indiretos, desde técnicos e figurinistas até o setor de serviços.
O impacto disso pode ser medido comparando com a Coreia do Sul, referência mundial em
exportação cultural. Dados do Banco de Exportação e Importação da Coreia (KEXIM)
mostram que, para cada 100 dólares exportados em produtos culturais (como filmes e
séries), a venda de outros bens de consumo do país (como cosméticos e roupas) aumenta,
em média, 180 dólares. Ou seja, o sucesso da cultura puxa o crescimento de todo o resto
da indústria.

Esse "efeito vitrine" já começou a dar resultados no turismo brasileiro. O ano de 2025 foi
histórico para o setor: segundo a Embratur, o Brasil recebeu um recorde de mais de 9
milhões de turistas estrangeiros, um crescimento expressivo em relação aos anos
anteriores. Esse fluxo injetou mais de 7 bilhões de dólares na nossa economia, provando
que quando o Brasil aparece bem na tela, o mundo quer ver o país de perto.
E empresas internacionais já estão vendo o Brasil como o grande impacto do momento. Um
exemplo disso é a marca de cosméticos Sol de Janeiro. A empresa, que é dos Estados
Unidos, se tornou uma das mais procuradas por estrangeiros no mundo todo, com a
promessa de entregar a "pele firme" e o cheiro característico do Brasil usando ingredientes
nossos, como o guaraná.

Outros aspectos culturais também viralizam lá fora, como a tendência de moda com roupas
verdes e amarelas e o ritmo do funk, que toca nas baladas da Europa. Tudo isso funciona
como um ímã: quanto mais a nossa cultura vira tendência, mais empresas estrangeiras
decidem investir no nosso país, patrocinando festivais e abrindo negócios, o que gera
melhorias diretas para a nossa economia.
Por fim, fica claro que investir em é uma grande estratégia de desenvolvimento. Mas para
que o Brasil continue crescendo, a cultura precisa ser acessível não só para quem vê de
fora, mas para quem vive aqui. Democratizar o acesso ao cinema, ao teatro e aos livros
garante que novos talentos surjam em todos os cantos do país. Investir no artista brasileiro
e garantir que o povo consuma sua própria arte é bom para a identidade nacional e
excelente para o bolso de todos.

 

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Dani Almeida

Publicado por:

Dani Almeida

Jornalista e estudou Ciências Sociais na UNIFESP. Escreve sobre comunicação, cultura pop, especialmente a asiática, além de entretenimento, esportes e sociedade.

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