Aguarde, carregando...

Quinta-feira, 30 de Julho 2026
Qual a última história que você contou para o seu filho?
Yasmin Malaquias

Qual a última história que você contou para o seu filho?

Nossas relações na era “pós-narrativa”

IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Nesta semana, terminei o livro “A crise da Narração”, do filósofo mais pop da atualidade, Byung Chul-Han. Ele ficou famoso pela publicação de “Sociedade do cansaço”, obra em que discute o mal-estar presente na sociedade contemporânea, mas seu pensamento filosófico é muito mais vasto. Uma de suas contribuições, por exemplo, é a discussão do lugar da narrativa no nosso mundo, que está cada vez mais digital e hiperconectado.

            O autor aponta que as redes sociais nos geram uma sensação de conexão, mas o que elas têm feito, de fato, é nos afastar cada vez mais. Isso ocorre porque as redes sociais são performance, postamos apenas aquilo que é bonito, agradável, mas não o que é real. Há um excesso de informações, fotos, vídeos, stories, que enaltecem apenas o Eu e nos afastam da comunidade. Vemos isso, por exemplo, com os grandes influencers digitais, que exibem suas vidas luxuosas e caríssimas na Internet, a fim de se destacarem num país onde o salário médio, segundo o IBGE, é de R$ 3.378,00.

            Para Han, a narrativa é diametralmente oposta ao papel que as redes sociais exercem hoje. Elas sempre foram essenciais para a coesão social e, em especial, familiar. Era comum, como no quadro que é capa desse texto, que as pessoas se reunissem para ouvir as histórias das pessoas mais velhas – fossem elas memórias ou criações fabulosas. A verdade é que isso tem se perdido num mundo onde passamos nosso tempo livre na frente das telas. O autor ainda destaca que em escala nacional, a narrativa gera identidade: os mitos que pertencem ao folclore, como no Brasil, eram passados pela tradição oral, de pai para filho e era algo comum entre aqueles pertencentes à mesma geração. Infelizmente, hoje essa cultura está desaparecendo.

            O filósofo ainda se apropria das contribuições de Walter Benjamin, autor alemão do século XIX, para os estudos literários. Seu texto, “O narrador”, defende que o narrador morreu após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) porque os homens que voltavam da guerra – quando voltavam – ficaram calados devido ao estresse pós-traumático da carnificina desse conflito. O fantástico, que é o ponto de partida na narrativa, foi morto com o horror da luta bélica – a mais sanguinária até então. Esse processo tem se intensificado atualmente com a disseminação em massa da Informação, que dispensa narrativa. Enfim, estamos cada vez mais conectados e simultaneamente mais separados.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): https://www.wikiart.org/en/albert-anker/der-grossvater-erz-hlt-eine-geschichte-1884
Yasmin Malaquias

Publicado por:

Yasmin Malaquias

É estudante de Letras da FFLCH-USP e dedica-se ao estudo e à produção de literatura

Saiba Mais

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Portal Dois Pontos
Envie sua mensagem, será um prazer falar com você ; )
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR