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Quinta-feira, 17 de Setembro 2026
Stranger Things começa a se despedir e mostra o poder da nostalgia e da saudade como linguagem cultural
Dani Almeida

Stranger Things começa a se despedir e mostra o poder da nostalgia e da saudade como linguagem cultural

A primeira parte da quinta temporada chega hoje e mostra como a série usou nostalgia, estética dos anos 80 e memória afetiva

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Stranger Things estreia hoje a primeira parte da quinta e última temporada e abre um dos momentos mais esperados da cultura pop recente. A série não chamou atenção apenas pelos mistérios de Hawkins, mas ganhou espaço porque conseguiu criar uma ligação emocional forte com o público. Essa conexão surgiu especialmente pela maneira como os diretores usaram a nostalgia dos anos 80 como ponto de encontro entre quem viveu aquela época e quem só conhecia essas referências pela internet.

Quando a série estreou em 2016, ela trouxe de volta músicas, roupas, objetos e coisas que pertenciam a outra década. O público reencontrou fitas K7, bicicletas como meio de transporte principal, jogos de tabuleiro, máquinas de fliperama, jaquetas jeans, tênis clássicos e os cabelos volumosos que dominaram o período. A moda da época voltou para vitrines e para as redes porque Stranger Things tornou esses itens familiares para novas gerações. A série deu novo significado ao que já existia e ajudou a transformar elementos antigos em moda novamente.

A nostalgia funciona como um tipo de conforto emocional. Na sociologia, esse sentimento aparece quando as pessoas procuram segurança em lembranças do passado. Mesmo quem não viveu diretamente aquilo reconhece nos objetos, nas músicas e nos cenários um clima de estabilidade. Stranger Things aproveitou essa sensação e esse movimento com tudo. A série apresentou um mundo com estética antiga, mas com conflitos que fazem sentido ainda hoje. A mistura criou identificação e aproximou o público de personagens que lidavam com amizade, medo, descoberta e mudanças, temas que atravessam qualquer fase da vida.

A força da nostalgia também ajuda a explicar o sucesso da série. Em um período de excesso de informação e de consumo acelerado, histórias que olham para trás despertam sensação de pausa. O passado parece mais simples e mesmo na série cheia de coisas ruins acontecendo, ainda parece aconchegante, familiar e seguro. A estrutura visual de Stranger Things reforça isso. Os tons de vermelho e azul dos letreiros, os figurinos, as casas com papel de parede, os eletrodomésticos e carros antigos e até o som das músicas criam um cenário que acalma e envolve. A estética lembra filmes e clássicos da década e evoca uma memória coletiva presente até em quem nunca assistiu a esses conteúdos.

A série também virou uma porta de entrada para a cultura daquela época. A música voltou para as paradas, os videogames antigos ganharam novo valor e muitos jovens passaram a pesquisar referências que não faziam parte de suas vidas. Stranger Things construiu um elo entre passado e presente e mostrou como narrativas sobre amizade e medo podem atravessar gerações quando são contadas com sinceridade.

Com a última temporada começando hoje, o clima é de reencontro e despedida ao mesmo tempo. O público volta a Hawkins sabendo que está assistindo os capítulos finais de uma história que marcou quase uma década. A sensação não é apenas a de acompanhar uma série até o fim, porque também vimos as crianças da série crescer fora dela, é tudo muito familiar.

A nova temporada chega carregada de expectativa e emoção. É um convite para revisitar o que Stranger Things trouxe de melhor e, ao mesmo tempo, entrar na reta final dessa jornada que começou com crianças em bicicletas, walkie talkies e muita aventura. Trazendo os anos 80 para cá novamente, Stranger Things ajudou a reconectar memórias e deixou muita gente com saudade de como as coisas eram antes da internet. Eu mesma já estou querendo comprar uma câmera analógica e revelar filmes manualmente. E você, qual objeto de antigamente gostaria de trazer para a sua vida?

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Divulgação | Netflix
Dani Almeida

Publicado por:

Dani Almeida

Jornalista e estudou Ciências Sociais na UNIFESP. Escreve sobre comunicação, cultura pop, especialmente a asiática, além de entretenimento, esportes e sociedade.

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