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Quarta-feira, 13 de Maio de 2026
Você está fazendo tudo errado (e deveria monetizar isso!)

Tharsila Lourenço

Você está fazendo tudo errado (e deveria monetizar isso!)

Como qualquer hobby virou nicho, todo mundo virou especialista e a vida virou um grande tutorial

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Outro dia, vi um vídeo de alguém ensinando a maneira correta de cortar pão. Sim, pão. Com direito a trilha dramática e legenda berrante: “VOCÊ FEZ ISSO ERRADO A VIDA TODA!!!” Confesso que fiquei meio tensa. Será que eu estava destruindo fatias inocentes esse tempo todo? E mais: em que momento da história humana decidimos que até pra cortar pão é necessário ter um manual definitivo?


Parafraseando Logan, nosso Wolverine: “Charles, o mundo não é mais o mesmo”; vivemos tempos estranhos. Não basta mais gostar de alguma coisa — você precisa ser referência nela. Se você faz café, tem que virar barista de vídeo na internet. Se malha, tem que compartilhar sua rotina, exibir seu shape e criar um grupo fitness. Se tem um cachorro, parabéns, ele pode se tornar uma estrela digital antes de você. Parece que a internet transformou o simples ato de existir em um grande processo de branding pessoal, (e eu sei isso porque trabalho com branding).


A regra é clara: agora tudo virou nicho, e cada nicho agora precisa de um especialista. Comer, dormir, respirar — alguém já monetizou isso. De repente, seu hobby não é mais só um hobby, mas uma oportunidade de negócio . O algoritmo recompensa quem se joga de
cabeça e ignora quem só quer... bem, viver a vida sem fazer um reels disso.

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O mais curioso? O que começou como uma forma de expressão tornou-se mais uma obrigação invisível. A “autenticidade” virou um produto, a espontaneidade agora precisa de roteiro, e a internet cobra consistência como um chefe exigente. Uma pergunta que não quer calar: será que estamos criando conteúdo porque gostamos ou porque temos medo de ficar irrelevantes?


Eu me descrevo nas redes sociais como: “a pior blogueira do universo”, por quê? Porque penso que talvez nem tudo precise virar um post. Talvez o pão possa ser cortado de qualquer maneira. Talvez seja libertador gostar de algo só porque sim, sem a pressão de transformar isso em um grande evento digital. No fim das contas, a vida pode ser muito mais interessante quando não é um tutorial ambulante. Se você está  sentindo essa pressão de transformar qualquer coisinha em conteúdo, saiba que você não precisa. 


E veja bem, quem está falando isso sou eu, que trabalho com marketing de conteúdo e mídias sociais. Basicamente, sou paga para criar estratégias que fazem as pessoas quererem postar a vida toda. Se existe alguém que deveria defender o "poste tudo sempre", esse alguém sou eu. Mas até eu sei que a gente tá passando um pouco do ponto. 


Dá para fazer uma viagem incrível sem gravar um vlog diário. Dá para testar uma receita nova sem filmar um unboxing dos ingredientes. Dá para malhar sem postar aquele vídeo de antes e depois. Eu juro que dá. E talvez até seja mais divertido assim. 

A verdade é que ninguém precisa ser uma máquina de conteúdo ambulante. Algumas coisas podem continuar existindo apenas no mundo offline, sem cortes cinematográficos, sem trilha sonora, sem a validação do engajamento. Algumas experiências são melhores quando a gente simplesmente vive, sem pensar no enquadramento perfeito para as redes sociais.

Mas, claro, se o que você faz feliz é compartilhar, ensinar ou criar — vá em frente! O problema não é produzir conteúdo, é se sentir obrigado a isso. A internet já virou um grande espetáculo, mas ninguém é obrigado a subir no palco.

Então, se você sente que precisa postar tudo mesmo quando não quer, para não ficar invisível, fica o convite para um desafio radical:  experimente fazer algo incrível e... não postar. Só pra ver como é. Aposto que o mundo continuará girando, e você continuará existindo e sendo relevante. 

E se você quiser compartilhar essa experiência? Bom, pelo menos vai ser porque você quis, e não porque o algoritmo mandou.

FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
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Tharsila Lourenço

Publicado por:

Tharsila Lourenço

Mãe, comunicadora social e empreendedora, uma mente inquieta que transforma os dilemas da vida em reflexões

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