É só fevereiro começar que já aparecem os fiscais da produtividade, com a testa franzida, exclamando: "mas precisa mesmo disso tudo?". Precisa, sim. E muito.
Caro e gentil leitor, a autora que vos fala passa longe dos perigos carnavalescos, mas, como diria Lady Whistledown, o baile estava deveras animado, e a Acadêmicos de Niterói escreveu seu nome na Sapucaí: "Sem anistia! Sem anistia!".
Hoje eu fiz questão de vir aqui escrever: uma, porque acredito não viver na bolha de "inteligência discreta" que apoia golpista e não acredita na ciência; outra, porque preciso falar sobre os últimos acontecimentos midiáticos que continuam dando notoriedade à blogueira — que vocês já sabem quem é —, vista como a mulher mais relevante do Brasil na atualidade, enquanto ignoram nomes como o da doutora Tatiana Coelho, que descobriu como fazer tetraplégico voltar a ter movimentos.
"Ah, mas você não é nada imparcial!"
Por isso desisti da faculdade de jornalismo. Nessas horas, eu queria ser didática como costumo ser em sala de aula e explicar que o conceito do prisma monocromático não existe na Física — mesmo eu não sendo de exatas.
Quando estava no ensino fundamental e aprendia sobre as grandes guerras mundiais, perguntava-me como tanta gente era capaz de idolatrar um ditador genocida. Hoje, infelizmente e a duras penas, vejo a história se repetindo — e mais perto do que eu gostaria. Nossos vizinhos hermanos que o digam: 12 horas de trabalho por dia está bom para você que defende a escala 6x1?
"Ai, porque o carnaval é uma festa pagã e não sei o que, sei que lá..." Amigo, uma coisa é não curtir a muvuca dos bloquinhos ou apreciar os desfiles do Anhembi; outra é ativar o modo "unidos da ignorância" e resumir a importância dessa grande manifestação cultural à sua bolha religiosa. Entenda: eu TAMBÉM sou do time "acadêmicos do sofá", nota 10. Você leu com a entonação correta?
Mas, veja: o Carnaval não é apenas um feriado prolongado em que o país "para". Ele é o raro momento em que o Brasil se olha no espelho e, em vez de procurar olheiras, enxerga brilho. É quando a costureira vira artista, o pedreiro vira mestre-sala, a professora vira porta-bandeira e o contador descobre que sabe sambar. É a economia invisível que se torna visível: ambulantes, músicos, maquiadores, motoristas. É protesto. É comida na mesa de muita gente. É pertencimento, é identidade, é impacto econômico.
"Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz."
Quando a quarta-feira chega, as fantasias voltam para o armário e o uniforme de CLT é vestido — ainda com resquícios de purpurina —, algo permanece. O ano pode ser longo e duro, mas o brasileiro sabe que, em algum fevereiro futuro, a avenida o espera. E isso já é motivo suficiente para defender a folia.
E, para o final do ano, seguimos acreditando:
Vermelhou no curral
A ideologia do folclore avermelhou
Vermelhou a paixão
O fogo de artifício da vitória vermelhou!!!
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