Você já abriu o TikTok e se deparou com um artista internacional dançando funk brasileiro? Ou já reparou como as cores do Brasil aparecem cada vez mais em coleções mundo afora? Nos últimos anos, o Brasil deixou de seguir tendências externas para se tornar inspiração. Surgiu assim o chamado Brazilcore, que espalha nossos símbolos para o mundo através da moda, da música, da culinária e até da política.
O termo core significa “essência”, e no caso do Brazilcore a ideia é justamente essa: levar o cerne da cultura brasileira para o mundo. Símbolos como a camisa da seleção, as cores verde e amarelo e até as Havaianas sempre estiveram presentes no nosso dia a dia, mas nos últimos anos ganharam novo significado. Se antes a bandeira foi usada como símbolo político, a partir de 2022 artistas e criadores resgataram esses elementos como estética cultural. Um dos marcos foi a apresentação de Anitta no Coachella, com figurino em verde e amarelo, e a Copa do Mundo no Catar, que devolveu a camisa do Brasil às ruas em clima de festa. A partir daí, as cores do país passaram a circular no TikTok e viraram tendência internacional.
Na moda, um exemplo recente veio da Copenhagen Fashion Week, onde as Havaianas brilharam como peça de estilo. O que sempre fez parte da rotina dos brasileiros virou destaque na Dinamarca e referência no street style europeu. Mas não parou aí: a Farm Rio abriu lojas em Paris, Londres e Milão levando estampas tropicais para vitrines globais, e até a Mangueira encerrou um desfile da grife Chloé em Paris, mostrando que nosso carnaval também inspira alta-costura.
Na música, o impacto é ainda maior. O funk, que nasceu nas favelas brasileiras, hoje toca em clubes na Europa, em festivais internacionais e está presente em playlists globais. Em 2025, Bruno Mars lançou Bonde do Brunão, um funk em português que viralizou e mostrou como até grandes artistas internacionais estão se inspirando diretamente no Brasil. No TikTok, nossos passos se espalham em segundos e são repetidos por jovens na Coreia, na China e nos Estados Unidos.
O Brasil também entrou de vez no K-pop e no K-hip hop. Pabllo Vittar lançou MEXE com o grupo NMIXX, misturando funk com batidas coreanas em três idiomas. Anitta fez história ao se unir ao TXT em Back for More. Os rappers Gson e Gun-E lançaram o álbum Rio depois de uma turnê pelo Brasil; ACE, do VAV, gravou Minha Razão totalmente em português e fez covers de artistas nacionais; e a banda 2Z surpreendeu ao interpretar “Razões e Emoções”, da NX Zero, e “Admirável Chip Novo”, da Pitty. Esses movimentos mostram que nossa língua e nosso som já fazem parte da cena coreana (e mundial!).
Nas redes, as coreografias brasileiras viraram febre. Cantores, influenciadores e criadores reproduzem passos de funk que nasceram aqui, como a dança do ombrinho e músicas que explodiram no TikTok — Passo Bem Solto, Tipo Nino Abravanel, Me Ligou na Madrugada, Montagem Xonada, entre outros. O formato de vídeos curtos facilita essa expansão: em poucas horas, um passo criado no Brasil pode virar trend de Santiago a Xangai.
No cinema, o Brasil também marca presença. Fernanda Torres brilhou em Ainda Estou Aqui (2024), de Walter Salles, que chegou a concorrer ao Oscar. Selton Mello, Wagner Moura e outros nomes levaram nossas histórias a produções internacionais. E não dá para esquecer de Rio (2011), animação que apresentou o país para crianças do mundo inteiro, reforçando nosso imaginário cultural no cinema global.
Nossa gastronomia reforça ainda mais esse alcance. Restaurantes de churrasco e caipirinha se multiplicam mundo afora, enquanto pratos como açaí e pão de queijo conquistam novos cardápios. Comer comidas brasileiras também virou parte dessa experiência cultural global.
Na política, o Brasil ocupa um espaço cada vez mais estratégico. A defesa da Amazônia coloca o país no centro das discussões ambientais. Ontem (23), o presidente Lula discursou na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, reafirmando a soberania nacional e destacando a importância do Brasil em temas como democracia, inclusão e clima. Esse ano também, o país assumiu a presidência do BRICS, sediando a cúpula no Rio de Janeiro e liderando debates sobre governança global e cooperação entre países do Sul. Isso mostra que nossa influência vai além da cultura: também molda a política e a economia internacional.
O Brazilcore é o retrato desse momento. Tudo o que exportamos culturalmente faz parte desse movimento: da moda aos chinelos pregados com pregos, da música ao funk, da culinária à caipirinha, da política às discussões ambientais. O mundo veste, dança, consome e celebra o Brasil. E além da tendência, isso é a prova de que somos referência global e motivo de orgulho nacional, mesmo sem copa do mundo rolando!
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